O SENTIDO LITÚRGICO CELEBRATIVO DA QUARESMA
O Ano Litúrgico celebra o Mistério Pascal de Jesus Cristo, no decorrer do ano solar. É a celebração e atualização do Mistério de Cristo no tempo. É o próprio Cristo mesmo e seu Mistério Pascal, atuando no tempo, mediante ações sacramentais realizadas pela Igreja, nos quais, a mesma Igreja celebra a "memória", "presença" e "profecia", abrindo o caminho da salvação para os fiéis que participam de sua Sagrada Liturgia.
Nesta celebração do Mistério Pascal do Cristo, no decorrer do ano litúrgico, o elemento "tempo" é muito relevante, pois é a realidade na qual a vida dos homens e mulheres acontece e, é pela mediação do tempo que, o Mistério Pascal se torna acessível.
O Concílio Vaticano II, na Constituição Apostólica Sacrosanctum Concilium, n. 102, afirma: "A Santa Mãe Igreja julga seu dever celebrar em certos dias no decorrer do ano, com piedosa recordação a obra salvífica de seu divino Esposo. Em cada semana, no dia em que ela chamou Domingo, comemora a Ressurreição do Senhor, celebrando-a uma vez também, na solenidade máxima da Páscoa, juntamente com sua sagrada Paixão. No decorrer do ano, revela todo o Mistério de Cristo, desde a Encarnação e Natividade até a Ascensão, o dia de Pentecostes e a expectação da feliz esperança e vinda do Senhor. Relembrando destarte os Mistérios da Redenção, franqueia aos fiéis as riquezas do poder santificador e dos méritos de seu Senhor, de tal sorte que, de alguma forma, os torna presentes em todo o tempo, para que os fiéis entrem em contacto com eles e sejam repletos da graça da salvação".
De tal modo que, para nós cristãos, na fragilidade do tempo que passa, pela celebração litúrgico-sacramental, o tempo adquire valor de "espaço de salvação".
O Tempo de Quaresma.
As primeiras referências a um tempo de preparação para celebrar a páscoa, vamos encontrar, no Oriente no inicio do século IV e no Ocidente no final do século IV. Mas, já na metade do século II já se vinha afirmando a necessidade de uma preparação para a Páscoa, mediante a prática penitencial do jejum, no qual se estrutura a Quaresma, do numero quarenta, considerado à luz do simbolismo bíblico, que dá a este tempo, um valor salvífico.
A Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 109 afirma: "...o tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais freqüência a palavra e entregarem-se a oração, os dispõe à celebração do Mistério Pascal". E neste mesmo número se sugere dar, "particular relevo na liturgia e na catequese o duplo caráter deste tempo de quaresma". Daí que, a quaresma tem, uma orientação pascal-batismal.
A quaresma tem inicio com a quarta-feira de cinzas (este ano de 2.009 a celebramos no dia 25 de fevereiro) e se prolonga até a missa do Crisma, na Quinta feira Santa pela manhã. A celebração litúrgica deste tempo se destaca especialmente na celebração Dominical. Nos cinco domingos que precedem ao Domingo de Ramos, o lecionário dominical oferece a possibilidade de três itinerários diversos e ao mesmo tempo complementares: um itinerário batismal (ciclo A); um itinerário cristocêntrico-pascal (ciclo B) e um itinerário penitencial (ciclo C).
O significado e o conteúdo da Quaresma se encontra exposto de forma sintética e precisa, no primeiro prefácio da Quaresma do Missal Romano.
"Ano após ano, concedeis a vossos filhos esperar com alegria a festa da Páscoa, preparando-se pela penitência e dedicando-se mais à oração e ao amor fraterno, para que alcancem a plenitude da filiação divina pela renovação dos sacramentos pascais, nos quais renasceram".
A Oração do Dia do Primeiro Domingo de Quaresma, fala da celebração quaresmal como de um "sacramento", ou seja, de um "sinal sagrado". Assim, tudo o que forma parte de instituição quaresmal – gestos e palavras – é uma realidade unitária e significativa.
No que diz respeito a teologia e a espiritualidade deste tempo de Quaresma, podemos afirmar que, este tempo litúrgico no permite uma experiência mais viva na participação do Mistério Pascal de Jesus Cristo: "participamos de seus sofrimentos para participar também de sua glória" (Rom. 8,176). Ao mesmo tempo, não podemos esquecer o caráter eclesial da Quaresma, enquanto tempo da grande convocação de todo o povo de Deus, para que se deixe purificar e santificar por seu Salvador e Senhor.
No Brasil, se aproveita este tempo rico de significado teológico e espiritual, para lançar a Campanha da Fraternidade. Este ano de 2.009 a Campanha da Fraternidade apresenta-nos como tema: "Fraternidade e segurança pública" e como lema: "A paz é fruto da justiça (Is. 32,17)". A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pretende, com esta Campanha, realizar um grande debate a nível de Brasil, a respeito da segurança pública, com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura da paz, fundamentada na justiça social.
Pe. Gilson Cezar de Camargo
Pároco